
Psicólogo Social formado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ, gestor "multiskill", especialista em Estratégia, Negociação, Recursos Humanos, Desenvolvimento Organizacional e Behavioral Science, com longa experiência em posições executivas C-Level, tanto na área privada como na pública, iniciei a vida profissional na área de Recursos Humanos e Treinamento em 1972, na Shell Brasil, e após, rapidamente, galgar várias posições executivas até o topo na carreira executiva (ocorrida aos 28 anos), cheguei ao cargo de Ministro de Estado. Minha atuação tem sido como Conselheiro, na ação de Consultor Estratégico para o topo e no desenvolvimento de Projetos Estratégicos de alta complexidade em prazos exíguos.
Minha experiência profissional será descrita, despojadamente, por meio de um relato sucinto e de maneira informal, por meio de uma espécie de storytelling.
1972-1976 - Trainee Executivo, depois, "Chefe de Treinamento Gerencial e Organizacional" da Shell Brasil. Neste período, concomitantemente, fui professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) nas cadeiras de Psicologia Organizacional e Industrial.
1977-1978 - Gerente de Projetos Booz, Allen and Hamilton (Clima, Cultura , RH, Estratégia de Mudanças) das Usinas Siderúrgicas em âmbito nacional, notadamente em Minas Gerais.
1978-1983 - Vice-Presidente de Desenvolvimento Organizacional e RH da Corporação Bonfiglioli (Alimentos, Banco e Indústria Imobiliária). A área de RH foi redesenhada, pioneiramente, seguindo uma modelagem e linguagem de Planejamento Estratégico.
1983-1986 - Vice-Presidente Executivo da Sharp,Sid e Digibanco (Comércio e Tecnologia Eletrônica, Semicondutores, SID e Banco).
1986-1993 - Presidente da Brasilconsult (Consultoria em Gestão, Estratégia, Negócios, Turnaround Management, RH e Transformação Cultural, Organizacional, Interim Management e Negócios). Desenvolvi, com a equipe da Brasilconsult, aproximadamente 180 projetos estratégicos no Brasil, nos mais diversos setores e empresas, nacionais e multinacionais. Introduzimos, pioneiramente, o conceito de Interim Management no país.
A partir de 1993, recebi convites dos Presidentes da República para ocupar cargos de Secretário Geral/Executivo de Ministérios e de Ministro, além de, simultaneamente, presidir o Conselho de algumas empresas estratégicas (descritas adiante).
A experiência governamental, abaixo resumida, abarca o período de 1993 até 2001, sempre sob o enfoque estratégico de mudar/transformar o país (Plano Real etc.).
Período de 1993 a 1994 - Governo do Presidente Itamar Franco - Ministério da Industria, Comércio, Serviços e Turismo - MICT.
Período de 1995 a 2000 - Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso - Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca.
Em ambos os Ministérios fui Secretário Executivo e Ministro.
No MICT conduzi o estratégico “Fórum de Competitividade Brasileiro”, que ensejou a criação da Política de Competitividade Industrial do País, com a participação de mais de 400 presidentes de empresas, para fazer uma conceituação e prática de competitividade que também fundamentasse o Plano Real, a busca da estabilidade econômica e erradicação da inflação (a maior mobilização de empresários já feita para um Projeto de Governo).
Destaco algumas responsabilidades escolhidas e exercidas no âmbito dos dois Ministérios:
Em 1993/1994, fui o responsável pelo Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade para a Competitividade no Brasil - PBQP (ISO 9000). Houve vários fóruns e deles saíram ideias relevantes, mormente, no campo da Produtividade, e dezenas de projetos que deram conteúdo e ajudaram na elaboração da vitoriosa Proposta de Plano de Governo de Fernando Henrique Cardoso, denominada “Mãos à Obra, Brasil”. À época, Paulo Renato, Eduardo Jorge, e eu, todos então Ministros, tivemos responsabilidades centrais, junto com mais de uma centena de empresários, executivos e cidadãos, que ajudaram na definição do referido Plano de Governo FHC.
Ainda no período 1993-1994, fui Membro do Conselho Monetário Nacional – CMN, e, no mesmo período, Membro do Conselho Deliberativo do Sebrae Nacional.
Em 1995, assumi responsabilidades no Ministério da Agricultura para convertê-lo estrategicamente em Ministério do Agronegócio. Foram realizadas dezenas de encontros estratégicos com a totalidade das lideranças do Agro no Brasil, nas “Câmaras Setoriais”, criando-se um sólido comprometimento conceitual e prático para consolidar a estratégia de mudanças para a futura agricultura brasileira.
Houve, de máxima importância e destaque, o “Fórum Nacional de Agricultura”, instrumento de mudanças estratégicas, culturais e sociais e da totalidade da cadeia de produção, ocasião na qual houve a introdução de novos valores para o Agronegócio e a criação estratégica das “10 Bandeiras do Agronegócio”.
Vale esclarecer que as “10 Bandeiras do Agronegócio” foi um projeto estratégico com enfoque “a montante e a jusante” de 20 anos, extremamente bem-sucedido. Essa real mudança da Agricultura para um Agronegócio altamente competitivo contemplou o desenvolvimento de compreensões, conteúdos e conceitos estratégicos, que nortearam grandes fóruns de Mobilização e Estratégia e sua materialização descentralizada no Brasil.
Ainda sobre as “10 Bandeiras do Agronegócio”, houve um encontro com os 400 principais líderes do Agronegócio Brasileiro (principais executivos membros do Board) que selou o grande acordo empresarial para transformação da Agricultura em Agronegócio, com a presença do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Para melhor compreensão, o referido encontro gerou um elevado compromisso do empresariado e do Governo brasileiro no sentido de transformar a Agricultura no desejado Agronegócio (hoje o mais competitivo do mundo). Foi criada ali a base para o Brasil transformar-se em liderança altamente competitiva, trazendo os seguintes resultados para o país:
Décadas de saldos elevados da balança comercial do setor, sempre em forte superávit, e transformação da área do Agronegócio em sustentáculo da Economia e Exportação, como uma das mais modernas do mundo. Em melhores palavras: Brasil, celeiro do mundo!
No mesmo período (de 1995 a 1999) e com o mesmo objetivo de radical transformação, também assumi a Presidência do Conselho de Administração da EMBRAPA, sendo seu primeiro Presidente de Conselho. A EMBRAPA é reputada como excelente centro de inovação e de tecnologia de Agricultura mundial. O entendimento, quando da minha atuação no cargo, era de que sem alta tecnologia ou high tech não haveria mudança, valendo ressaltar que o desdobrar do tempo consagrou essa hipótese, visto que há mais tecnologia embarcada em um grão de soja do que em um chip de computador. As decisões tomadas à época foram fundamentais para a criação da Agricultura Tropical, altamente sustentada em pesquisa e tecnologia.
A safra 1999/2000 foi marcada por recordes na produção de soja e milho, com cerca de 85 milhões de toneladas. Não bastasse, hoje, como resultado do trabalho iniciado naquele momento, o Brasil produz algo com projeções para a safra de 2025/2026 estimadas em 354,7 milhões de toneladas. Um crescimento de alta qualidade, em volumes surpreendentes. Liderança em padrão mundial, com o Brasil ajudando a alimentar o mundo.
Ainda sobre o período 1995-1999, concomitantemente, assumi o cargo de Presidente do Conselho da CONAB (maior empresa governamental de logística de alimentos do país).
Outras responsabilidades/cargos assumidos dentro do Projeto de Transformação da Agricultura em Agronegócio:
1995-1999 - Presidente do Conselho da Companhia de Promoção Agrícola - CAMPO (empresa devotada em converter o Cerrado em grande Centro Produtor de Alimentos). A CAMPO, uma empresa binacional, foi criada no âmbito do Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento Agrícola dos Cerrados (Prodecer), sendo o resultado da cooperação entre o Governo Brasileiro e o Governo japonês, por sua vez representado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA).
No mesmo período, buscando o equilíbrio das ações de Agronegócio entre as regiões do Brasil, liderei um transformador projeto no Nordeste brasileiro, qual seja, o Projeto de Fruticultura Irrigada do Semiárido Brasileiro, que revolucionou profissionalmente e tecnologicamente a Fruticultura do Semiárido, utilizando-se de densa ciência e pesquisa aplicada. As áreas abarcadas (todas no Semirárido nordestino) desenvolveram-se decisivamente, com a criação de milhares de empregos, sendo abertas frentes de exportação em mais de sessenta países. As políticas para tal projeto foram discutidas exaustivamente e consolidadas em encontro em Petrolina e Juazeiro (PE/BA) com a participação do Presidente Fernando Henrique Cardoso, de centenas de empresários e representantes do Congresso Nacional.
2000-2001 – Assumi uma nova frente, como Assessor Especial do Gabinete Civil da Presidencia da República, na Câmara de Comércio Exterior – CAMEX, com o objetivo de refinar a estratégia de exportação do Agribusiness.
Ainda em 2001 voltei à iniciativa privada como Consultor, sempre enfatizando estratégia, negócios e transformação organizacional, cultural, por meio de turnaround management, educação e treinamento .
2007-2009 - Aceitei um convite para uma transformação organizacional e cultural como Diretor Executivo Eleito da Medial Saúde. A área de saúde me mobilizava.
De 2010 em diante - Presidente (CEO) da Barcelos-Fernandes & Associados. Consultoria em Estratégia + Negócios + (Re)Estruturação de Empresas e Governo, Educação, Treinamento e Projetos Ambientais, com foco em áreas de Competitividade, Negociação, Turnaround Management e transformação organizacional.
E, somei a isto, uma volta interessantíssima ao magistério, no período de 2015 a 2019, como professor dos Masters e MBAs da Business School - São Paulo - BSP.
A experiência acumulada não pesa - orienta. E é com essa bússola calibrada em décadas que sigo navegando pelo que ainda está por vir.
1. Sobre transformação
Organizações não mudam por decreto. Mudam quando as pessoas que as compõem decidem, juntas, que o futuro vale mais do que o conforto do presente.
2. Sobre estratégia
Estratégia sem cultura é apenas um documento bem escrito. A verdadeira mudança acontece quando o comportamento das pessoas passa a contar a mesma história que o planejamento.
3. Sobre experiência e inovação
Experiência não é o oposto de inovação — é a sua base mais segura. Quem conhece profundamente o passado erra menos ao desenhar o futuro.
4. Sobre liderança
Liderar é, antes de tudo, um ato de responsabilidade com o desenvolvimento das pessoas ao redor. Resultados sustentáveis são sempre consequência de gente bem desenvolvida.
5. Sobre o Brasil
Acredito no Brasil com a convicção de quem ajudou a construir partes dele. Os recursos estão aqui. O que sempre foi necessário é a coragem de pensar grande e a disciplina de executar com consistência.
6. Sobre conhecimento
Conhecimento que não circula envelhece. Por isso escrevo, publico e debato — não para registrar o que já foi, mas para contribuir com o que ainda está sendo construído.
7. Sobre maturidade intelectual
Depois de cinco décadas entre organizações, ministérios, salas de aula e mesas de negociação, aprendi que a pergunta certa vale mais do que a resposta pronta. Continuo fazendo perguntas.
8. Sobre Moralidade
"A ÉTICA ANTES DE TUDO!"